Thursday, May 31, 2007

A ler: a belíssima autobiografia de António Pinto Ribeiro no próximo JL, a publicar na quarta-feira, 6 de Junho.

Monday, May 28, 2007



A revista feminina mais transgressora da História acaba de completar 10 anos. A francesa jalouse continua a ser um farol para quem se interessa pelo que de mais vanguardista se faz em moda mas também para todos os que se ocupam das culturas urbanas. O número de aniversário revisita o que de melhor publicou durante a década e aponta pistas para o futuro. Aqui seguem os parabéns de uma leitora incondicional.

Thursday, May 24, 2007


The Cure, Want

«There are no second acts in american lives», diz ela, citando Scott Fitzgerald, enquanto se aproxima do BIG 40!

Wednesday, May 23, 2007


O craque encaixilhado

Recordo-o envolto numa nuvem de fumo, as pontas dos dedos amareladas pelos cigarros «Porto» que fumava incessantemente. Era assim o meu avô materno, Fernando de seu nome, morto aos 62 anos, um mês depois do 25 de Abril, quando eu ainda não sabia que coisa estranha era essa de perder alguém que ainda ontem nos carregara às cavalitas. Homem alegre, mas marcado pelo duro quotidiano do Portugal salazarista, criara as três filhas à custa de muita acrobacia orçamental e de um silêncio ressentido sobre qualquer assunto que, mesmo de leve, «cheirasse» a Política.
Este meu avô tinha, quando cheguei à sua vida, duas paixões maiores: os dois netos e o Benfica. Contemporâneo dos grandes feitos do clube nos Campeões Europeus, passava os seus melhores domingos no então recém-construído Estádio da Luz. Em tarde de maior empolgamento, chegou a casa determinado a pregar a foto de José Águas na parede da sala, entre os retratos de família. Ao que minha avó se opôs, imagino pelo que dela lembro, com uma determinação tão serena quanto inabalável. O retrato encaixilhado do craque foi guardado numa gaveta, mas meu avô remoía ainda no modo de expressar condignamente a sua paixão pelo «Glorioso».

Numa outra tarde chegou a casa com novidade mais consensual. Um cachorro de pata curta, a indicar que não tomaria maiores dimensões. Já trazia nome, informou. Que era – surpresa das surpresas – Benfica. O animal tão amorosamente designado cresceu em rafeirice e escassa simpatia. Sem que ninguém o instruísse para tal, atacava voluntariamente visitas e cobradores. Tinha, no entanto, um ódio de estimação, a cujos passos, no patamar, reagia, mês após mês. A fúria do animal atingia o auge quando, a medo, com as quotas por cobrar, o homem anunciava de onde vinha: «Benfica!» Sentindo-se provocado ao julgar ouvir o seu nome na boca de um desconhecido, o modesto canídeo adquiria então a raiva de um pittbull. A cena entrou rapidamente no anedotário dos sportinguistas locais, mas jamais beliscou a dedicação clubística da família. Só a minha avó, envergonhada pelo falatório da vizinhança, pensava que, mal por mal, mais valia ter ficado com o retrato de José Águas.

Friday, May 18, 2007

Aguento estoicamente enquanto conto os dias. Itália espera-me daqui a um pouco mais de um mês. Desejo-vos um esplendoroso fim-de-semana!

Thursday, May 17, 2007

AMOR

Mi manera de amarte es sencilla:
te aprieto a mí
como si hubiera un poco de justicia en mi corazón
y yo te la pudiese dar con el cuerpo.

Cuando revuelvo tus cabellos
algo hermoso se forma entre mis manos.

Y casi no sé más. Yo sólo aspiro
a estar contigo en paz y a estar en paz
con un deber desconocido
que a veces pesa también en mi corazón

Antonio Gamoneda
Manhãs

«Decidiu recordar o que amara na vida. As músicas preferidas, o perfume delicado dos cravos, o sabor da pimenta-preta, o champanhe, o pão fresco, os bons momentos na companhia dos entes queridos, o ar depois da chuva, o vestido azul, os melhores livros. Fora bom, mas não lhe bastara
(...)
Também se lembrou de que gostara muito das manhãs.
(...) o que se passava durante as noites, para que o ar se mostrasse sempre renovado de manhã? Que redenção perpétua era aquela?E porque não se salvavam todos aqueles que o respiravam?
Traidora era aquela luz inefável, promessa de um dia perfeito, genérico muito superior ao filme que se seguiria. Todo o prazer dos dias está na manhã com que começam, dizia alguém».

Amélie Nothomb, Ácido Sulfúrico, Edições Asa

Tuesday, May 15, 2007

http://www.youtube.com/watch?v=e-At6avvY_4

Friday, May 04, 2007

TPC

Haverá laços entre pessoas que têm existência própria para além da vontade e dos projectos dos enlaçados? E, se assim for, significa que é connosco que Deus joga aos dados? Aceitam-se respostas para este «apartado». Bom fim-de-semana!

Thursday, May 03, 2007

Gracias a la vida

(Violeta Parra)


Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me dio dos luceros que, cuando los abro,
perfecto distingo lo negro del blanco,
y en el alto cielo su fondo estrellado
y en las multitudes el hombre que yo amo.

Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado el oído que, en todo su ancho,
graba noche y día grillos y canarios;
martillos, turbinas, ladridos, chubascos,
y la voz tan tierna de mi bien amado.

Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado el sonido y el abecedario,
con él las palabras que pienso y declaro:
madre, amigo, hermano, y luz alumbrando
la ruta del alma del que estoy amando.

Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la marcha de mis pies cansados;
con ellos anduve ciudades y charcos,
playas y desiertos, montañas y llanos,
y la casa tuya, tu calle y tu patio.

Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me dio el corazón que agita su marco
cuando miro el fruto del cerebro humano;
cuando miro el bueno tan lejos del malo,
cuando miro el fondo de tus ojos claros.

Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto.
Así yo distingo dicha de quebranto,
los dos materiales que forman mi canto,
y el canto de ustedes que es el mismo canto
y el canto de todos, que es mi propio canto.

Gracias a la vida que me ha dado tanto.

Tuesday, April 24, 2007

http://www.youtube.com/watch?v=PBK7bd3UYow


Porque amanhã todos fazemos anos, mesmo os que passam pela data como se não a conhecessem.

Tuesday, April 17, 2007

Estilhaçar o figurino

Ontem fui ao futebol, ver o meu Benfica empatar com o Braga. Na mala levava Ma Vie de Carl Jung. Sou assim, paradoxal, com um gosto muito particular por estilhaçar figurinos. Não aguento passar o dia em pose de intelectual, como não aguento o cheiro a roulotte de fritos mais do que uma vez por época. Tenho horror a rótulos e recuso-me a viver como me mandam. Não sou beta, não sou proletária, não sou intelectual de esquerda e muito menos neo-liberal de fachada democrática. Sou o desespero da minha repartição e ADOOOOOOOOOOOOOOOOOOORO!!!!!!!

Monday, April 16, 2007

Ouço esta maravilha e não posso deixar de pensar na boutade racista e etnocêntrica do editor de um jornal com responsabilidades: «Os brasileiros continuam pendurados na árvore!»
Abençoada árvore, não?
http://www.youtube.com/watch?v=ijCwWsG_IBg

Para começar muito bem esta semana
Caetano canta Carolina

Wednesday, April 11, 2007

I'm Nobody! Who are you?
by Emily Dickinson


I'm Nobody! Who are you?
Are you – Nobody – too?
Then there's a pair of us?
Don't tell! they'd advertise – you know!

How dreary – to be – Somebody!
How public – like a Frog –
To tell one's name – the livelong June –
To an admiring Bog!

Monday, April 09, 2007




Ouvir

Em entrevista a uma rádio espanhola, o escritor Jordi Nadal declarou que ouvir o outro é uma forma de valentia. Concordo plenamente. Pessoal e profissionalmente, sempre procurei levar a cabo esse objectivo virtuoso, embora, como quase toda a gente, nem sempre o consiga. Umas vezes por falta de paciência, outras por puro egoísmo, embora, no geral, seja uma menina tímida, louca por ouvir uma boa história.
Esta característica, ao contrário do que possam pensar os adeptos de tons mais agressivos, nunca me criou problemas no jornalismo. Há pessoas que não suportam jornalistas inquisidores e há até aquelas que se sentem intimidadas por gravadores e/ou máquinas fotográficas. As melhores e mais empolgantes entrevistas da minha vida nasceram dessa disponibilidade para (tentar) encontrar a essência do outro no que diz sobre o seu trabalho. Recordo, entre tantas outras, as conversas, tidas neste espírito com pessoas tão diversas como Ana Benavente, Álvaro Cunhal, Matilde Rosa Araújo, Lídia Jorge, Agustina Bessa-Luís, Al Berto, António Alçada Baptista, João Bénard da Costa, Rogério Samora, Júlio Machado Vaz, São José Lapa, o escritor chileno Francisco Coloane,D.Francisco de Borja, Enfim, pedaços de vida que nunca esquecerei.

Friday, March 30, 2007

E esta é para o Thiago com todo o carinho do mundo

http://www.youtube.com/watch?v=jZSCIDAEFyU

Monday, March 26, 2007

To Septimus, como sempre, este pedaço de um Portugal que amamos, mesmo quando nos desilude
http://www.youtube.com/watch?v=NY6M9nWRVHQ
Desgosto

O que fazer com uma nação que elege Salazar o seu melhor? Talvez deixá-la à sua sorte ou lembrar Manuel Alegre nos tempos em que, por causa de Salazar, Portugal tinha presos políticos, homens e mulheres exilados porque pensavam de maneira diferente da do governo, jovens a morrer em África por causa de um império de papelão, censura intelectual e informativa e milhares de analfabetos só porque o ditador entendia que quem muito lê, treslê.


Trova do vento que passa

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de sevidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre
http://www.youtube.com/watch?v=rBuTPweCvQ4

Cranberries, Just my Imagination

Passei o fim-de-semana assim. Nas núvens.